Chevrolet lança captiva em busca de mercado
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com captiva sport, chevrolet entra no promissor mercado dos crossovers
a chevrolet lança para o mercado brasileiro nesta terça-feira (19) o crossover compacto captiva sport, produto sem similar na gama da marca no país, e também ainda sem rivais nas outras três líderes de mercado – fiat, volkswagen e ford. apenas esta última deve fechar o ano com um produto semelhante: o edge, que será apresentado nas próximas semanas. além de brigarem entre si, ambos tentarão abocanhar um pouco do mercado hoje dominado com folga pelo suv tucson, da sul-coreana hyundai.
fazendo valer a origem do captiva, a general motors preparou um megalançamento no balneário chique de los cabos, no méxico, país onde o carro é fabricado. devido ao acordo tarifário entre os mexicanos e o brasil, a taxa de importação é simbólica. por ora, falar em preço é chute (nem as revistas especializadas, que já testaram o modelo, receberam essa informação). mas, devido ao motor de 3.6 litros (260 cavalos de potência) e ao nível dos equipamentos, qualquer valor abaixo de r$ 80 mil será uma surpresa. como o tucson começa nessa faixa, dificilmente o carro da chevrolet ultrapassará os r$ 100 mil. não custa observar que, com esse propulsor 3.6, câmbio automático de seis velocidades, controle de tração e de estabilidade, além de suspensão independente nas quatro rodas, no mercado mexicano o captiva começa custando o equivalente a r$ 52 mil e vai até r$ 55 mil, sem incluir impostos locais, e usando-se na conta o dólar a r$ 1,80.
pelo menos por enquanto, o crossover será o único carro inédito da chevrolet em 2008 no brasil. esta é outra razão para a montadora investir tanto em seu lançamento: ela precisa recolocar sua marca na mídia, depois de alguns meses em que só se falou no novo volkswagen gol, a peugeot matou a bem-sucedida linha 206 e pôs o polêmico 207 em seu lugar, e a fiat emplacou uma novidade técnica (o diferencial blocante) e reestilizações agressivas nas versões adventure de palio weekend, strada, idea e dobló.
a chegada do captiva ao brasil também é interessante porque o crossover é parente de modelos da chevrolet que ainda são inéditos no país. por exemplo, o design da grade dianteira, em forma de escudo e seccionada transversalmente por uma barra ornada pela gravatinha da chevrolet, o alinha ao sedã grande malibu, que pode ser importado em 2009 -- e, de um modo mais geral, ao restante da gama da marca nos estados unidos, como o compacto aveo e o sedã cobalt.
moda que pega
a importação do captiva, somada à futura vinda do edge e ao recém-anunciado dodge journey (r$ 98.900), mostra que a moda dos suvs (utilitários esportivos) e crossovers (carros que misturam características com porte de jipão, espaço de minivan e dirigibilidade de sedã, entre outras) está se consolidando no brasil -- na contramão de seu mercado mais tradicional, os estados unidos, onde as vendas da categoria estão em queda e alguns modelos estão sofrendo cortes na produção, em favor de carros compactos -- que gastam menos combustível e também poluem menos.
a busca por uma posição de dirigir mais alta (o captiva tem 1,70 metro; seu comprimento é de 4,57 metros) e pela sensação geral de segurança de estar a bordo de um veículo maior explicam, em parte, essa nova tendência no brasil. não são razões necessariamente iguais às dos norte-americanos quando o assunto é (ou era) a escolha de um suv ou crossover. mas há outra razão, que une verde-amarelos e ianques: a quase obrigação de deslocar-se de carro em diversas grandes cidades dos dois países, desprovidas de uma rede de transporte público eficiente. se é para passar uma boa parte do dia dentro de um carro, quem tem poder aquisitivo para tanto acaba partindo atrás de tamanho e conforto na hora de decidir a compra. no caso do brasil, o mau estado de nossas vias -- menos sentido num carro de grande porte -- é outro fator importante. nada é à toa, como se sabe
