Coluna alta roda é a briga pelo bolso
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foto: divulgação / nissan sentra
depois de 45 dias de discussão, brasil e méxico chegaram a um consenso sobre a revisão pontual do acordo de comércio de veículos. como em geral acontece, cada parte cede em suas posições dentro de uma negociação civilizada. o méxico aceitou a limitação em valores de suas exportações de automóveis e comerciais leves até 2015 e o brasil deixou de lado, por ora, a inclusão antecipada de caminhões e ônibus só prevista para 2020.
no primeiro ano, cada país terá direito de exportar us$ 1,45 bilhão; us$ 1,56 bilhão, no segundo ano e us$ 1,64 bilhão no terceiro, sem impostos. em termos práticos, significa uma cota de cerca de 100.000 unidades nos primeiros 12 meses, 108.000, em 2013/14 e 113.000, em 2014/15. a partir daí, volta o livre comércio.
o índice de nacionalização de 30% no méxico corresponde a 60% na regra do mercosul. conforme a coluna já comentou, os mexicanos fazem uma conta direta da proporção entre peças locais e de outras regiões, considerando apenas valor e mão de obra. aqui se incluem outros custos internos. também houve acordo de aumento do índice para 35%, de 2013 a 2016, e 40%, em 2017. o brasil cumpre essa meta de conteúdo local com facilidade e o méxico terá de se esforçar para manter preços competitivos.
para entender melhor, é preciso saber que quando o acordo começou, em 2002, os mexicanos impuseram cotas em unidades para os automóveis brasileiros exportados durante quatro anos. afinal, com o real desvalorizado na época, temiam uma invasão de mercado. foi bom negócio para nós porque exportamos muito e para eles porque podiam receber carros compactos e baratos, quando ainda não tinham acordo de livre comércio com a união europeia.
as coisas começaram a mudar quando carros europeus e japoneses puderam entrar livremente no méxico e a valorização do real acabou com a competitividade das exportações brasileiras. o peso mexicano continuou se desvalorizando e o cenário virou nos últimos três anos. se nada fosse efeito, mais de 200.000 veículos entrariam no brasil isentos de imposto de importação e do ônus do novo ipi, enquanto carros brasileiros só seriam competitivos se o dólar valesse mais de r$ 2,50 (hoje, r$ 1,80). exportações só não pararam porque ficaria mais difícil voltar no futuro.
se o brasil quis preservar seus empregos, o que vai mudar para o consumidor? quase nada. a nissan, em princípio, seria a mais atingida porque as importações do méxico responderiam, em 2012, por mais de dois terços de suas vendas. se desejar importar acima da cota, pode fazê-lo, pagando a diferença de imposto. e até 2014 já terá construído em resende (rj) sua primeira fábrica, pois hoje utiliza instalações da renault, em são josé dos pinhais (pr). a chrysler produz no méxico e não paga imposto de importação, mas só escapa do ipi elevado quando também fabricar no brasil.
até o começo de abril, quando se anunciará o novo regime automobilístico brasileiro, o cenário ficará mais claro e complementar às regras de transição acertadas agora com o méxico. objetivo é gerar empregos, investimentos e atrair novos fabricantes, o que aumentará ainda mais a concorrência interna. e isso costuma valorizar o bolso dos consumidores.
roda viva
brasil perdeu o posto de sexto maior produtor mundial para a índia, no ano passado. explica-se pela grande dificuldade de exportar e os altos custos internos. além disso, importar ficou mais barato com a atual taxa cambial. o mercado brasileiro ainda continua atraente e se manteve na quarta posição. mas não por muito tempo. índia nos passa esse ano.
honda cr-v ganha novo fôlego com mudanças estilísticas e mais recursos eletrônicos a bordo (navegador gps, computador multifunções e câmara de ré). motor de 2 litros ganhou 5 cv (agora 155 cv). há câmbio manual e automático. rebatimento total dos bancos traseiros é por molas, sem esforço do usuário. preços de r$ 84.700 a r$ 103.200.
motor mais eficiente faz toda diferença no peugeot 408. mais do que aumento de potência para 165 cv, o turbocompressor garante expressivos 24,5 kgf·m de torque, a apenas 1.400 rpm. forma bom conjunto com o novo câmbio automático de seis marchas, bem superior ao antigo, de quatro. pena que só esteja na versão griffe, de topo, por r$ 81.500.
sétima geração do toyota camry chega por r$ 161.000,00. agrada a quem deseja estilo atual, sem ousadias. mas não atrai olhares. motor v-6, de funcionamento silencioso, mostra o vigor de 277 cv, ajudado por bom câmbio automático de seis marchas. encostos do banco traseiro têm reclinação elétrica. faltam navegador gps e travamento das portas ao arrancar.
tomando por base estatística do ministério da saúde, o instituto sangari, que promove difusão científico-cultural, chama a atenção para o crescimento assustador de acidentes fatais com motociclistas. entre 1998 e 2008, mortalidade aumentou a um ritmo duas vezes superior ao de expansão da frota. muitos nem se preocupam em ter carteira de habilitação.
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