Coluna alta roda é comparações bizarras
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foto: marcus lauria / chevrolet cobalt ltz 1.8
voltar a comentar sobre os preços dos carros no brasil parece redundância, mas de tempos em tempos surgem comentários fora da realidade. virou até manchete de jornal. mais do que óbvio, o que se paga aqui é muito alto. o problema começa ao apontar os vilões por essa diferença, quando se comparam outros países. e aqui, convém ressaltar, a importância da relação cambial entre moedas, em geral, é pouco citada por ?analistas?.
no país, o dólar já valeu até menos de um real. mas, também, beirou os r$ 4,00. a maior cotação aconteceu em outubro de 2002 e os carros brasileiros ficaram entre os mais baratos do mundo. um jornal citou o fato, em um canto de página. obviamente, os mesmos modelos se alinharam entre os mais caros, mesmos reajustados abaixo da inflação, com o dólar perto de r$ 1,50, em abril de 2011.
agora, a r$ 2,05, veículos lá fora encareceram 33%, em reais, e ninguém noticiou. continuou grande a diferença, mas se o dólar subisse, por hipótese, para r$ 3,00 e se retirados todos os impostos, aqui e lá fora, para a comparação correta, nada se falaria. ainda assim, desvalorização cambial é só consolo e não solução.
há erros primários em algumas comparações de preços. no brasil, o frete é único, embutido e extremamente elevado. além disso, desconsideram os equipamentos, como no caso do fit (jazz na frança). o equivalente ao vendido aqui custa perto de r$ 49.000. retirados frete e diferença de impostos, os valores ficam quase iguais.
ideais seriam preços divulgados sem impostos e acrescidos na hora da compra, a exemplo de outros países. nos eua, um veículo custa 100 e tem preço de 94, sem impostos. carga fiscal: 100 dividido por 94, igual a 6,3%. aqui, custa 100 e preço médio na fábrica, 67. carga fiscal: 100 dividido por 67, igual a 49%. automóvel produzido no brasil sobe quase 50% da fábrica para a loja, fora o frete. essa conta vale para tudo que se vende aqui, de roupa a alimentos.
sobre os custos de produção nem adianta argumentar. poucos levam em conta seu peso crucial na formação de preços. se perguntar a uma pessoa comum quanto é o lucro da fábrica no valor de venda de um carro, muitos responderão 30%. porém, a margem média mundial, hoje, está em 5%, deprimida pela crise econômica. fabricantes como toyota ou o trio de ferro alemão (audi, bmw e mercedes) ganham 12%, ou mais, em tempos normais. rentabilidade sustentável sobre as vendas é de 8% e as fábricas generalistas convergirão para essa meta, como anunciou a nissan.
só a fiat publica balanços de seus resultados aqui. o lucro sobre as vendas foi de 11%, em 2011. muito ou pouco? muito, se comparado à média (atual) no exterior. ajudou o fato de o mercado ter dobrado de tamanho em seis anos, embora sujeito a graves depressões, como de 1998 a 2003. e dinheiro atrai dinheiro, ou seja, novos concorrentes. os três maiores fabricantes dominam, de fato, cerca de 60% do mercado. nos eua, há poucos anos, a proporção era até superior. no japão e outros países é comum os três principais terem mais de 50% do mercado.
se o lucro, agora, fosse de 3%, ainda teríamos automóveis muito caros. para acabar com comparações bizarras e uso de matemática frívola, custos e impostos têm que ser atacados é e resolvidos é de verdade.
roda viva
nissan ainda não anunciou, mas também fabricará motores no complexo que constrói em resende (rj). a exemplo da toyota, há necessidade de novos investimentos para atingir a proporção exigida, no novo regime automobilístico, entre peças importadas e compradas no mercado interno. resta saber que motores serão produzidos para march e versa.
cobalt agora exibe desempenho compatível ao oferecer motor de 1,8 l/108 cv. potência específica é baixa, porém torque aumentou para 17,1 kgf·m (etanol) e consumo diminuiu, segundo o fabricante, que está fora do programa de etiquetagem inmetro. câmbio automático de seis marchas tem seleção manual no pomo da alavanca: prático, basta acostumar.
para quem aprecia desempenho, audi a1 sport, 185 cv, traz sensações poucas vezes vistas entre compactos premium. partindo de salgados r$ 109.900, o motor tem respostas impressionantes, mesmo em baixas rotações: combina compressor e turbocompressor. casa à perfeição com caixa automatizada de duas embreagens, sete marchas.
volkswagen terá cinco produtos com pacote r line, todos importados, conjunto de itens de esportividade de bom gosto e discrição. depois do cc, agora é a vez do touareg v-8/360 cv. por r$ 26.300, inclui teto solar, indicador de ponto cego e controlador ativo de velocidade. transmite sensação de solidez e é bom no asfalto (principalmente) e na terra.
editora alaúde lança o livro do inglês michael scarlett, sob título porsche 911: o esportivo mais respeitado do mundo. modelo completará 50 anos, em 2013. com 160 páginas e muitas fotos, original é da inglesa haynes publishing. tradução de bob sharp e daniel miranda. preço de pré-venda: r$ 67,00 (informações, tinyurl.com/9sryuec).
contatos do autor: [email protected] e www.twitter.com/fernandocalmon
