Quatro bons motivos para o sucesso dos carros híbridos e elétricos
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foto: divulgação
juntas as montadoras já venderam nos estados unidos, de janeiro a julho de 2013, quase 300 mil carros híbridos, e 358 mil elétricos e híbridos. atualmente, mais de 40 modelos híbridos convencionais estão disponíveis, por montadoras do mercado de massa, a exemplo da toyota (que é a líder dos híbridos), ford, gm e marcas de luxo, como bmw, mercedes e até a ferrari. notícias revelam que as vendas de híbridos representam cerca de 3 por cento das vendas totais da indústria automobilística norte-americana.
aparentemente, a participação é baixa, mas é preciso levar em conta alguns aspectos não considerados por quem divulga este tipo de notícia. o primeiro é que não é correto comparar a venda de híbridos e elétricos com as vendas totais, pois eles são destinados a grandes centros urbanos, e não a todo o país. logo, se fizessem a conta considerando os principais centros urbanos onde eles são comercializados, o resultado seria muito diferente. também, é preciso considerar que o número de modelos de carros híbridos e elétricos ainda é pequeno, quando comparado com os seus pares a combustão interna.
finalmente, levando em conta que a fiat (que é líder de vendas do mercado brasileiro), vendeu no acumulado de janeiro a junho deste ano, em torno de 302 mil carros. e juntas todas as montadoras no brasil, em junho de 2013, venderam 233 mil automóveis no mercado doméstico, perceberemos que o volume de vendas de ve e híbrido não é tão irrelevante, quanto pode parecer a um analista menos atento.
há muitos motivos para o crescimento das vendas não ser rápido. entre outros, temos que considerar que há uma gigantesca infraestrutura petrolífera, que não vai ceder espaço facilmente. é assim com quase tudo na vida. afinal de contas, quando se ganha dinheiro com um determinado modelo de negócio, mudar nem sempre é fácil.
então, do que adianta o consumidor desejar um produto se ele não está disponível, ou quando está, custa muito mais caro e não tem condições ideais de uso? para muitos consumidores, o preço é o fator mais importante na escolha de um bem. nos estados unidos, apesar do crédito de imposto federal de us$7.500 para veículos plug-in e 100% elétricos, o preço final desses produtos ainda fica muito acima dos seus pares a combustão interna.
por exemplo, o preço do ford fusion básico, movido a gasolina lá, é de us$21.900. já a versão híbrida convencional do carro vai para us$26,200 e o modelo plug-in não sai por menos de us$38.700.
agora eu pergunto, se a situação fosse inversa, onde o ve e híbrido custassem menos, tivessem mais ofertas do que os de combustão interna, infraestrutura robusta e incentivos dos governos, você acha que o quadro seria o mesmo? claro que não! é fácil imaginar que eles estariam vendendo muito mais, não é mesmo?
diante de tudo isso, muitos podem imaginar que será sempre assim. aliás, dias desses eu conversava com um amigo sobre o assunto, e ele me disse: ?amigo, eu tenho quase 70 anos de idade e, desde criança, ouço dizer que as reservas de petróleo reduziriam. no entanto, o que vi foi o contrário. elas cresceram e a oferta de seus derivados, também.?
porém, há pelo menos quatro fatores que confrontam argumentos desta natureza. o primeiro é que a demanda pelo petróleo cresce muito, e logo não poderá atender a todos. o segundo é o componente meio ambiente. sabemos que a queima de produtos derivados do petróleo é nocivo, e precisa ser equacionada.
o terceiro é que as pessoas estão mais sensíveis aos apelos de sustentabilidade. com a globalização da internet, não será nada fácil evitar o tema, que a cada dia mais influenciará os lucros das empresas e o comportamento de governantes. finalmente, os países dependentes de petróleo (a maioria) não vão passar o resto da vida queimando combustível fóssil, sem qualquer controle sobre a oferta do produto. cedo ou tarde ampliarão os investimentos em energia renovável.
*escritor, conferencista e diretor do instituto das concessionárias do brasil
fonte: www.verdesobrerodas.com.br
