Old school team: a primeira vez.
-
essa eu suguei do site www.mulsanne.com.br, muito bem escrito, divertido e totalmente old school.
para quem gosta de antigomobilismo, automobilismo, técnica e conversa-fiada - como o próprio site se auto-intitula - é um prato cheio.
esse texto com certeza vai fazer muita gente da turma do toddynho repensar sua vida.
_o sol está se pondo nesta tarde gelada de inverno, e o clima bucólico me lembrou uma ocasião muito especial. é amigos, o tempo passa como uma madame esnobe, não espera por ninguém. algumas primaveras já se passaram desde a minha primeira experiência com um v8 do tipo american muscle.
foi lá na suspentécnica. era um lindo maverick ldo v8 302, devia ser 78 ou 79, cor champagne. estava à venda, e eu queria e, felizmente, podia comprá-lo. naquela época não tinha essa loucura de especulação. os preços eram pautados pelo bom senso. o interior estava descaracterizado na cor preta, equipado com bancos de tempra forrados em couro, bastante anatômicos. lembro que ele calçava rodas cruz-de-malta, acessório de época que remetia às corridas da antiga categoria divisão 1.
a quem olhasse de fora talvez fosse só um corcel anabolizado, pintado em um tom cafona de dourado claro, mas não pra mim. aos meus olhos, aquilo era adrenalina materializada, rebeldia vintage sem causa, um james dean de lata, borracha e couro. e isso era o que importava.
uma belíssima tarde ensolarada de outono, aquele friozinho bacana temperado com um morno sol alaranjado. nada de trânsito nas ruas da vila olímpia. conspiração perfeita. entendeu? coisa de sonho, uma experiência inesquecível logo adiante. a sensação de pegar na gelada maçaneta cromada, o cheiro de couro e vinil envelhecido do interior, aquele fino volante de quatro raios dos últimos maverick… e tudo mais.
mas nada foi tão marcante quanto acordar a fera: torci a chave, clic e o motor de arranque girou pesado, um mike tyson em serviço. após algum estímulo com o acelerador, o propulsor v8 de cinco litros acordou como um leão enraivecido, um verdadeiro rugido. bbbrrooooowwmmm b-b-b-b-b-b-b.. a marcha lenta parecia uma horda de bárbaros sedentos por sangue, só aguardando o sinal de ataque.
se você nunca dirigiu um v8 desses na vida, não sabe o que é essa coisa de um automóvel de 30 anos intimidá-lo antes da primeira volta. tem gente que chega a tremer, como pude testemunhar anos depois com meus próprios olhos. ainda estou para conhecer o ser humano que não sentiu algo parecido com o primeiro passeio a cavalo nesta experiência insólita. e assim foi comigo, agradavelmente esquisito.
os carros atuais passam uma sensação esterilizada. com as velharias, o feeling é mais biológico, visceral. difícil de explicar, fácil de entender.
naquele dia, algumas lições foram aprendidas de pronto: primeiro, que a caixa de direção do maverick era uma pedra de dura. “melhora se trocar os pneus”, o dono disse enquanto eu suava a cântaros pra tirar a máquina do pátio da suspentécnica. e é verdade. mas continuaria um pedregulho. já dirigi outros ford maverick desde então – alguns com pneus brilhando de novos. e quanto mais largos, mais músculos serão necessários. mais cáster então, vixe maria. direção hidráulica? descarte, passe pra frente, ela não transmite road feel algum, um perigo. o negócio é ter muque e manobrar o bicho no braço mesmo. hunf, hunf, hunf
segunda lição, torque: esqueça aqueles números astronômicos de capa de revista, o que vai te levar pra frente na saída de curva é o torque do motor. na gíria popular, é a pegada, a chicotada, o quebrador de pescoços. o mavecão cor-de-champagne devia estar fazendo seus 0 a 100 em nove ou dez segundos, mas qualquer retomada era estupidamente empolgante. e o rugido do vê-oitão agia como o capeta sussurrando no ouvido “pisa mais fundo, moleque ”. um pouco mais de veneno para dar alguma potência de pico, e aquele ford seria um canhão. com um diferencial mais curto então, seria um atentado aos bons modos.
a última lição do dia foram os freios, lição esta aprendida na marra – após uma esticadinha que nos levou a mais de cem por hora em uma avenida próxima à marginal pinheiros. frear um muscle não é tarefa para menininhas, o nome já diz tudo. para brecar, precisa de perna, de atitude. claro que não estou falando sobre dar uma marretada no pedal – deixe os movimentos bruscos e dramáticos para a turma de hollywood. o que quero dizer é, a pressão necessária para convencer as pinças a fazer alguma coisa é grande. quer saber como é?
você tira o pé do acelerador, e apóia no pedal do meio. aplica força e... não, um pouco mais de força... e, mais força... não, realmente um bom bocado de força. isso é o suficiente. para começar a frear.
daí, quem está acostumado com carros atuais estranha duas vezes: a primeira é quando senta o traseiro no banco do motorista do antigo. tudo é meio duro de acionar, nada é exatamente ergonômico, vibrações, barulhos, aquela visão completa do capô, até o cheiro é peculiar. o segundo estranhamento é quando se volta ao carro atual. daí tudo parece leve demais, tal como aquele treinamento de boxe no qual o pugilista soca por vários minutos segurando anilhas, e depois faz os mesmos movimentos sem elas. uma pluma, espuma, chantilly a sensação “de plástico” que todo mundo reclama é real, bem como a sólida impressão sobre o quanto a engenharia evoluiu nos últimos trinta anos. particularmente no que se refere aos projetos de suspensão, nessa área a coisa realmente foi pra frente.
mas nisso, eu tenho um outro causo muito bom guardado. fica pra próxima.
ah, se eu comprei o maverick? por muito pouco. depois de guiar um dodge charger, senti que este era mais a minha cara. nada a ver com ser melhor ou pior, questão de gosto mesmo. quando reencontrei o ldo alguns anos depois, na loja do romeu siciliano, deu uma emoção bonita. nos reconhecemos. estes carros têm mesmo alma. quem não gosta não entende._
-
se o cara gozou só de guiar um pony…imagina se pega um muscle de verdade
meu primeiro carro foi um maverick gt... era 4cil...e nem andava...ia restaurar td...mas acabei vendendo...
aprendi a dirigir em uma caravan 4.1 6cil q possuía na época...
comandinho 250-s taxadinha bebendo alcool com solex h-34...
lembro q na primeira vez q dirigi dei uma fritadinha saindo de segunda..
coisas q soh um motor forte pode te propiciar
ehehe
-
quando leio essas coisas, me da mais vontade ainda de comprar um mevecão…
pena não ter condições ainda
... -
quando leio essas coisas, me da mais vontade ainda de comprar um mevecão…
pena não ter condições ainda
...nossa, nem me fala….
quando tava querendo sair do palio pra comprar a parati... cheguei até a ver alguns mavericks....
mais não tinha condição de ter um monstro desse como único carro
:(ainda vou ter um v8....
-
é o tipo de carro pra final de semana, segundo carro.
não é para te levar a algum lugar.
é pelo simples prazer de dirigir.
isso mesmo
agora alguém consegue explicar esse sentimento para namorada, noiva ou esposa???
só de pensar em comprar um carro antigo, já escuto: pra que comprar carro velho? ta ficando doido? .
mas infelizmente hoje um muscle custa mais que um rim…
-
lindo….. esse aí é da turma ost mesmo

emocionei aqui..... acho que hoje to emotivo.... vou comprar uns anti-depressivos da antarctica mais tarde e acender um carvão........


-
é o tipo de carro pra final de semana, segundo carro.
não é para te levar a algum lugar.
é pelo simples prazer de dirigir.
falou tudo.
-
é o tipo de carro pra final de semana, segundo carro.
não é para te levar a algum lugar.
é pelo simples prazer de dirigir.
se eu tivesse um desses, só ia deixar de rodar com ele todo dia quando acabasse a grana pra gasolina… hahahaha. o que não deve demorar muito. heaushuaheuahsuhae