[image: dsc04213.jpg]fotos: marcus lauria
lançada em 1982, com motor refrigerado a ar e derivada do hatch gol, a vw saveiro vem, ao longo dessas três décadas, acompanhando as evoluções de seu irmão menor, sempre ostentando as renovações visuais da linha, adequadas à sua realidade. líder do mercado praticamente nos seus primeiros vinte anos de vida, a picape teve que se render à chegada da fiat strada e sua ampla gama de versões e motores.
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após algum tempo de gestação, a linha 2014 da saveiro foi apresentada trazendo o mesmo “rosto†da família vw, contando apenas com para-choques exclusivos dotados de “mais musculaturaâ€, conforme palavras da própria marca. a versão cross, que avaliamos, traz visual bem semelhante aos outros aventureiros da marca, e isso inclui os interessantes faróis de neblina combinados aos faróis de longo alcance, estes acionados pelo comutador de facho alto dos faróis.
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o visual do exterior não traz exageros estéticos, e mesmo os plásticos que adornam grande parte da carroceria não destoam do restante do visual. belas rodas aro 15 com detalhes cromados e visual interessante completam o estilo da picape.
já o interior é o típico encontrado na dupla gol/voyage, com acabamento simples, porém com qualidade de montagem impecável. a exclusividade desta versão é visível apenas nos bancos e nas pedaleiras cromadas. volante, botões, cluster e afins são os mesmos vistos em qualquer outro carro da linha.
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a linha 2014 da picape traz o que a vw define como “nova arquitetura eletrônicaâ€, que auxilia na redução do consumo de combustível, caso do sistema eco confort, com dicas de condução econômica. no quesito segurança, o carro traz ainda um sistema que liga o pisca-alerta em frenagens mais fortes e também um detector de colisões , que destrava as portas e aciona luzes de emergência em caso de acidente.
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na mecânica não houve qualquer alteração, ou seja, continua na ativa o motor ea111 1.6 vht, que gera 101/104 cv @ 5.250 rpm (g/e) e entrega um torque de 15,4/15,6 kgfm @ 2.500 rpm (g/e). esse motor ainda faz um bom trabalho, sempre vinculado ao suculento câmbio mq200, referência de engates precisos. não foi dessa vez que a saveiro ganhou transmissão automatizada asg. sua suspensão é mcpherson com subchassi e barra anti-rolagem na frente, combinada ao eixo de torção com molas helicoidais na traseira.
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o espaço interno para motorista e passageiro é bom, com direito a um generoso espaço para bolsas e mochilas atrás dos bancos, graças à cabine estendida. encontrar a melhor posição de dirigir é fácil, fruto da coluna de direção regulável em altura e profundidade. poderia ser mais fácil caso a regulagem de altura do assento fosse similar à utilizada no fox/polo, do tipo macaco. não é agradável ou prático ter que levantar do assento para deixar o banco na altura desejada.
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como (quase sempre) de praxe em carros com dna alemão, todos os recursos disponíveis para o motorista são intuitivos e fáceis de encontrar, desde os comandos dos vidros/retrovisores elétricos ao controle do som/i-system por meio de botões no volante. um detalhe que destoa é o acionamento de faróis, que não indica por luzes-espia se a lanterna ou luz baixa está ligada, sendo necessário conferir no botão seletor qual a sua posição.
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em movimento, a saveiro agrada ao motorista já no primeiro contato, com respostas vigorosas ao menor toque no acelerador, resultado de um bom torque em baixa rotação e ao câmbio com escalonamento ideal. a direção tem respostas rápidas e peso correto, longe da leveza de um sistema de direção elétrica mas no patamar das mais suaves direções hidráulicas. os pedais também são suaves na medida certa, com a progressividade ideal para todos os gostos.
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rodando na cidade e em piso irregular, o motorista poderá se sentir incomodado com os pulos da carroceria oriundos da suspensão traseira preparada para o transporte de cargas na caçamba. mas isso não se traduz em insegurança, uma vez que a saveiro sempre se mantém na mão em qualquer situação. e por falar na caçamba, ela também influi para a visibilidade ruim pelo retrovisor interno, problema sanado pelos ótimos retrovisores laterais.
em manobras o sensor de estacionamento traseiro com indicação gráfica ajuda, enquanto o diâmetro de giro de 11,5 m atrapalha tanto quanto os quadris largos e o entre-eixos longo da picape. É necessário ter um pouco de paciência para manobrar a picape em vagas de prédios ou garagens apertadas.
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já na estrada a picape flui com um regular nível de ruídos aerodinâmicos a 120 km/h (fruto do cx de 0,368) e o motor girando em torno de 3.200 rpm nessas condições. e foi em uma sequência de curvas que o comportamento dinâmico da picape me surpreendeu. os pneus pirelli scorpion atr de uso misto e medida 205/60 r15 são extremamente aderentes, e a suspensão bem calibrada rola muito pouco, ou seja, essa combinação torna a saveiro um carro absolutamente “na mãoâ€.
empolgado com a dinâmica, joguei a picape em um trecho de serra com curvas bem travadas, e mesmo sob provocação o carro se mantém quase sempre neutro, com suave tendência ao subesterço no limite, sendo que este é quase impossível de se atingir em uso normal. apenas sob chuva os pneus largos demonstraram tendência à aquaplanagem antes do desejável, mas nada preocupante. quanto aos freios, possuem boa calibragem, nenhuma tendência ao fading e o abs só entra mesmo quando é necessário, sem alarde.
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ao longo de aproximadamente 800 km de teste, pude aferir um consumo (no computador de bordo) de 9,5 km/l na cidade com gasolina e 6,7 km/l com etanol. no ciclo rodoviário, o consumo ficou em torno de 13,4 km/l e 9,3 km/l, com gasolina e etanol, respectivamente. os números são pouco animadores, mas deixam a saveiro em patamar de igualdade com os números obtidos pela fiat strada, por exemplo.
com um preço básico de r$ 48.990, a saveiro cross testada somava ainda a cor metálica prata sirius (r$ 1.031) e o pacote i-trend (r$ 1.350), totalizando r$ 51.371. o único opcional que ficou fora do carro de testes foram os bancos em couro native (r$ 299). o preço fica abaixo de uma fiat strada adventure equipada com equipamentos similares, mas a strada continua sendo mais democrática ao oferecer duas opções de carroceria, motor mais potente (1.8 16v de 132 cv) e sistema locker.