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fotos: marcus lauria
lançado em 2005, o fiat idea chegou ao brasil em um momento aonde as minivans estavam no auge, e tinha características suficientes para cativar o comprador, tanto no desenho interessante quanto na ampla oferta de porta-trecos no interior. a versão adventure foi lançada no ano seguinte, seguindo a linhagem dos modelos aventureiros da marca italiana, calçando pneus de uso misto e utilizando-se de plásticos ao redor da carroceria, faróis de longo alcance e estepe pendurado na traseira.
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o visual externo que temos hoje na idea adventure foi inaugurado na linha 2011, enquanto o novo painel é a maior novidade da linha 2014, trazendo novas saídas de ar centrais e laterais, bem como novas grafias da bússola e inclinômetro. outra novidade é a opção de volante em couro com paddle-shifters e comandos do rádio, nas versões com câmbio automatizado dualogic, como é o caso da versão que testamos.
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custando a partir de r$ 52.970, o carro vem equipado com ar-condicionado, direção hidráulica, airbag duplo frontal, freios abs, entre outros itens, e nosso idea testado trazia câmbio dualogic plus (r$ 2.396), volante com paddle-shifters (r$ 306), sistema adventure locker de bloqueio do diferencial (r$ 1.609), rádio com bluetooth e entrada usb (r$ 755), bancos em couro (r$ 2.052), sensores de chuva e crepuscular com retrovisor eletrocrômico (r$ 781), sensor de estacionamento (r$ 662), vidros elétricos traseiros (r$ 696) e subwoofer (r$ 442). pintado na bela cor cinza tellurium (r$ 1.110), a conta fecha em salgados r$ 63.779.
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em relação ao modelo convencional, a versão adventure traz, além dos apliques de plástico na carroceria, pneus de uso misto bridgestone dueller a/t de medida 205/70 r15, bitolas mais largas na dianteira e traseira, altura de rodagem 3,5 cm maior, amortecedores recalibrados e barra estabilizadora mais parruda na dianteira. a traseira também passa a contar com barra estabilizadora, algo que não existe nos idea civis. os discos ventilados da dianteira passam de 257 para 284 mm, aumentando a capacidade de frenagem em virtude da maior transferência de massa. na traseira os freios são a tambor.
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ao entrar no carro, nota-se o bom espaço interno em todos os assentos, especialmente para a cabeça, como se é esperado de uma minivan. o motorista consegue regular a altura do assento entre alto e muito alto, enquanto a regulagem em altura coluna de direção deixa sempre o volante elevado demais, sem regulagem em profundidade. com meus 1,90 m, o painel incomoda meu joelho, mas dá para se acostumar. no banco traseiro, cabem dois marcelos e meio, enquanto o porta-malas de 380 litros cumpre com folga suas obrigações. seu acabamento interno tem bons encaixes e plástico de boa qualidade, apesar do visual datado. uma ressalva a fazer é que, apesar de sobrar porta-trecos dentro do carro, falta lugar para apoiar copos no console central e garrafas nas portas.
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graças aos amplos retrovisores e área envidraçada de respeito, a visibilidade é boa para a frente e para os lados. atrás o estepe pendurado não atrapalha a visão, mas dificulta saber aonde o carro termina, por isso não deixe de incluir no pacote o útil sensor de estacionamento traseiro opcional. manobrar o carro é mais fácil do que seu porte sugere, graças ao bom diâmetro de giro de 10,5 m (mesmo do idea convencional). suas medidas de comprimento (4,20 m) e largura (1,75 m) não impressionam tanto quanto a altura (1,81 m), e na prática ele cabe bem em garagens convencionais.
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com o fim da versão sporting, a idea adventure é a única a contar com o motor 1.8 (1.75) e.torq, que gera 130/132 cv de potência @ 5.250 rpm e 18,4/18,9 kgfm de torque @ 4.500 rpm (gasolina/etanol em ambos os casos), no nosso caso vinculado ao câmbio automatizado de embreagem simples e 5 velocidades, com tração dianteira. o conjunto é suficiente para movimentar o carro de 1.325 kg na cidade, embora o câmbio dualogic plus jogue contra o motorista no modo automático, principalmente em ladeiras ou manobras de kick down em baixa velocidade. em ambos os casos o câmbio fica perdido sem saber qual marcha escolher, logo, use e abuse das borboletas. já os trancos estão quase totalmente anulados nesta nova geração do câmbio dualogic.
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já quando cai na estrada, o carro revela sua verdadeira vocação, mostrando disposição para retomar velocidade com respostas corretas do câmbio em ultrapassagens. nota-se ainda bom isolamento acústico e conforto de rodagem, vindo a fazer muita falta o cruise-control para esse carro, item que não existe nem como opcional. os freios se comportam bem, com nenhuma tendência ao fading e atuação suave do abs. mesmo sob chuva forte o carro se manteve estável, com ótima atuação dos bridgestone dueller a/t, sem tendência à aquaplanagem. uma ressalva apenas para os limpadores com acionamento automático do carro testado, que ora atuam com ímpeto demais, ora ignoram a quantidade de chuva e funcionam apenas no intermitente.
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o ajuste de suspensão feito pela fiat merece um parágrafo à parte. logo no primeiro contato com buracos e lombadas do trajeto urbano, todas essas intempéries são filtradas com maciez, em parte com ajuda dos pneus de perfil alto. e quem lê somente até aqui imagina que um carro alto com suspensão complacente se torna inseguro em curvas, certo? errado. joguei a idea adventure em curvas de variados raios, atacando-as sempre na velocidade da via, obtendo como resposta um carro seguro, com pouca rolagem da carroceria e comportamento neutro. mediante elevação do ímpeto e aproximação do limite, a tendência é totalmente dianteira, sem excessos. apenas em curvas de raio mais fechado a transferência de massa é bem sensível na rolagem da carroceria, com mais substerço, mas nunca jogando a traseira.
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infelizmente não pude levar a idea para caminhos tortuosos fora-de-estrada, então testei o sistema locker apenas em uma ladeira de paralelepípedos molhada, com um pouco de lama próximo ao meio-fio. o sistema me ajudou a subir, especialmente por se tratar de um carro aonde não é possível usar a embreagem para auxiliar em situações como essa, mas fico devendo uma análise mais detalhada do locker em casos realmente selvagens.
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ao fim de pouco mais de 600 km de teste, utilizando apenas etanol, o consumo ficou na casa dos 6,4 km/l em uso urbano e 8,2 km/l no uso rodoviário. um consumo elevado e desanimador, principalmente na estrada, aonde mantive velocidade média dentro dos limites das vias que percorri (entre 90 e 110 km/h), utilizando o modo manual do câmbio para evitar reduções desnecessárias para marchas mais baixas. talvez seja culpa da área frontal considerável, somada aos pneus largos de uso misto, uma vez que o cx de 0,34 nem é tão elevado.
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sem concorrência no lado das minivans (nissan livina x-gear não conta por não contar com alterações mecânicas), seus rivais acabam sendo ford ecosport em suas versões intermediárias e o competente renault duster, tanto no porte, quanto no preço. eu diria ainda que o vw crossfox corre por fora, sem o mesmo espaço interno, mas superior ao idea em equilíbrio dinâmico, sem falar no fogo amigo disparado pela fiat palio adventure, com configuração similar. mas, desconsiderando-se seu preço e consumo elevados, a fiat idea adventure está bem equipada para esse combate.
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