em 2011 a mclaren levou um mp4-26, carro que foi utilizado na temporada 2011,
para dar umas voltas de exibição na austrália. e a pista não poderia ser
melhor: a belíssima e perigosíssima bathurst.
será a primeira vez que um monoposto de alta performance fará o
lendário trajeto, que compreende uma subida e uma ladeira formada por
zigue-zagues.
o sortudo que pilotará o carro prateado é craig lowndes, veterano do
v8 supercars. o piloto australiano pilotou monopostos pela última vez em
1997, quando foi companheiro de juan pablo montoya na fórmula 3000. não
fez nada e se encontrou no turismo australiano. uma pena que será ele o
contemplado pela primazia. mas não posso fazer nada e o fato é que
lowndes terá sua primeira oportunidade de pilotar um carro de fórmula 1.
lowndes não será o primeiro e nem o último piloto de turismo a testar
um carro de fórmula 1. na verdade, a história contabiliza vários
pilotos que saltaram daqueles belos carrões fechados para as baratinhas
para testes descompromissados. alguns até conseguiram uma vaga de
titular, como os recentes casos de christijan albers e paul di resta.
mas estes não nos interessam. falo hoje dos astros dos carros de turismo
que puderam ter o gostinho de pilotar um fórmula 1.
5- gary paffett
[image: garypaffett.jpg?w=510&h=382]
este daqui é figurinha fácil e obrigatória nesse ranking. paffett,
campeão da dtm em 2005, é piloto de testes da mclaren desde o fim
daquele mesmo ano. não que ele esteja trabalhando muito agora nessa
função, mas está lá em sua carteira de trabalho para quem quiser ver.
gary compete na dtm desde 2003, quando assinou com a equipe de keke
rosberg para utilizar um modesto mercedes clk-dtm. a categoria alemã
havia sido um subterfúgio para ele, que havia acabado de perder seu
emprego na fórmula 3000 após o fechamento de sua equipe. por causa da
contratação tardia, paffett teve um difícil ano de estreia e marcou
apenas quatro pontos. mesmo assim, conseguiu uma boa vaga na hwa, equipe
que utilizava os carros mais modernos da montadora de três pontas. foi
aí que começou sua história de sucesso no dtm.
a vida de gary paffett com a fórmula 1 completou dez anos em janeiro.
no início de 2001, impressionada com o talento do jovem piloto na
fórmula 3, a mclaren decidiu dar a ele um teste no mp4-15. entre o fim
de 2002 e o início de 2003, paffett fez mais algumas sessões com a
equipe inglesa, mas ainda não era funcionário dela. em 2006, após ganhar
a dtm, gary chegou a abandonar a categoria para se dedicar totalmente
aos testes com a mclaren. no fim daquele ano, ele chegou a ser cotado
como companheiro de fernando alonso, mas as negociações não avançaram.
de 2007 para cá, o inglês vem se alternando entre as corridas da dtm e
os parcos testes com os carros da mclaren. prestes a completar 30 anos,
não parece que as coisas mudarão muito nos próximos anos.
4- alain menu
[image: alainmenu.jpg?w=510&h=352]
há quem pense que alain menu, piloto suíço que corre até hoje no
wtcc, é um dos maiores talentos perdidos dos anos 90. não vejo as coisas
exatamente desta maneira, mas reconheço que o cara tem talento. nos
monopostos, ele foi vice-campeão da fórmula ford britânica em 1987 e da
fórmula 3000 britânica em 1990. mas foi no turismo que menu se
encontrou: bicampeão do btcc, campeonato de turismo do reino unido, em
1997 e em 2000. talvez ele realmente seja alguém a ser considerado.
por muitos anos, menu manteve um sólido relacionamento com a renault.
competindo com carros da montadora no btcc, o piloto suíço obteve um
título, três vice-campeonatos e 29 vitórias entre 1993 e 1998. para sua
felicidade, a renault era exatamente a marca cujos motores equipavam a
williams, melhor equipe da fórmula 1 em meados dos anos 90. não por
acaso, frank williams mantinha uma equipe no btcc com parceria da
renault, e era exatamente por ela que menu competia.
com tamanha proximidade entre menu, williams e renault, não era de se
estranhar que o piloto suíço viesse a ter uma oportunidade de guiar os
célebres carros de fórmula 1 de frank williams. em setembro de 1993,
alain testou um williams fw15 equipado com câmbio cvt, dotado de
relações de marcha continuamente variáveis, no circuito de silverstone.
dois anos depois, menu fez mais testes com o williams em silverstone. em
um dos testes, ficou a apenas dois segundos do melhor tempo, feito pelo
mclaren de mika hakkinen, e deixou uma impressão muito positiva. a
williams chegou a considerá-lo para uma vaga de piloto de testes em
1996, mas o acordo não deu certo. e alain menu continuou fazendo sua
vida nos carros de turismo.
3- fabrizio giovanardi
[image: fabriziogiovanardi.jpg?w=510&h=286]
para quem acompanha o btcc, o nome de fabrizio giovanardi não causa
estranheza. o italiano foi bicampeão da categoria em 2007 e 2008 e
deixou sua marca como um dos melhores pilotos da história da categoria.
isso porque títulos não constituíam novidade para ele, que havia sido
bicampeão do antigo etcc em 2001 e 2002. poucos se lembram, no entanto,
que giovanardi também já fez carreira em monopostos. e que já dirigiu um
carro de fórmula 1, mais precisamente uma desejadíssima ferrari f2000.
no início de 2001, fazia quase dez anos que giovanardi não colocava
as mãos no volante de um monoposto. sua última experiência havia sido a
fórmula 3000, categoria na qual ele competiu por três anos. e apesar de
ter vencido uma prova em 1989, fabrizio não conseguiu deixar a melhor
das impressões e decidiu seguir para o róseo caminho dos carros de
turismo. por isso, a surpresa foi enorme quando a ferrari anunciou seu
nome como o substituto de luca badoer nos testes da pré-temporada de
2001.
badoer havia se quebrado todo em um acidente no circuito de barcelona
e teria de ficar em casa se recuperando dos ferimentos. para não
atrasar o cronograma, a ferrari escalou giovanardi para fazer dois dias
de testes em varano com um f2000, carro do ano anterior. o convite só se
explicava pelo fato do piloto ser contratado da alfa romeo, irmã da
ferrari no grupo fiat, no etcc.
e lá foi giovanardi. nos dias 1 e 2 de fevereiro, ele deu 70 voltas
no total e deve ter agradado, já que a equipe o convidou para fazer
alguns outros testes em linha reta no mesmo circuito alguns meses
depois. mas nada de titularidade: o negócio dele era correr no turismo, e
se a ferrari relutou muito em dar uma chance ao velho badoer, por que
se preocupar com fabrizio giovanardi?
2- jamie whincup
[image: jamiewhincup.jpg?w=510&h=340]
jamie whincup, bicampeão da v8 supercars australiana, é o personagem
menos conhecido entre todos dessa lista. mais por ser jovem e por correr
lá nos cafundós da oceania do que por falta de talento, algo que
definitivamente não acontece com ele. disputando desde 2003 a categoria,
a mais importante de seu país, whincup já venceu 44 corridas, fez 22
poles e ganhou o respeito de todos. e tudo isso com apenas 27 anos!
a mclaren, equipe que sabe das coisas, decidiu dar uma oportunidade
ao piloto. no ano passado, ela levou para melbourne um mp4-23, carro que
fez lewis hamilton campeão em 2008, para ser pilotado por jamie no
circuito localizado no albert park. como golpe marqueteiro, permitiu que
jenson button pilotasse o holden commodore de whincup no mesmo
circuito. seria literalmente uma troca: whincup andando de monoposto e
button andando de carro de turismo.
por incrível que pareça, quem sofreu mais foi button, que estava
desacostumado a pilotar um carro tão mais lento que o seu costumeiro
objeto de trabalho. whincup, que havia vencido também o campeonato
australiano de fórmula ford em 2002, sabia como um monoposto se
comportava. e conseguiu lidar com o arisco mclaren numa boa. a equipe
gostou tanto de seu desempenho que chegou a pensar em colocá-lo para
fazer a sessão de testes para novatos que seria realizada antes do gp da
espanha. infelizmente, o convite não deu em nada. mas whincup segue
brilhando lá na terra do canguru.
1- jeff gordon
[image: jeffgordon.jpg?w=510&h=321]
você pode odiar a nascar. você pode achar aquilo um troço retardado e
repetitivo feito para rednecks do alabama que se entopem de cerveja e
frango frito, andam de f-150 e gostam da sarah palin. você pode ser
eurocêntrico e acreditar na superioridade moral, cultural e intelectual
dos europeus sobre os caipiras americanos. mas você não pode ignorar a
existência de jeff gordon, um dos esportistas mais importantes e mais
admirados do país.
tetracampeão da nascar winston cup, jeff gordon é um verdadeiro
fenômeno do automobilismo norte-americano. suas longas e muito
bem-sucedidas parcerias com a equipe hendrick e com a du pont fizeram
com que o chevrolet azul e laranja número 24 se tornasse um dos carros
mais lembrados e mais emblemáticos de todos os tempos. seus fãs são
muitos e absolutamente fiéis. por isso, a barulheira foi grande quando
foi anunciado que gordon faria um teste com um williams de fórmula 1 no
circuito misto de indianápolis em 2003.
na quarta-feira que antecedia o grande prêmio dos estados unidos,
gordon trocaria de lugar com outro ídolo nos estados unidos, juan pablo
montoya. o colombiano, que pilotava a williams, andaria no chevrolet
monte carlo nº 24. e gordon pilotaria o williams fw25 de montoya.
jeff estava preocupado em não fazer feio. entrou na pista, travou
pneus na primeira curva, deu uma escapada em uma das curvas do miolo e
voltou devagar aos pits. mais calmo, retornou à pista, andou por algumas
boas voltas e fez um tempo 1,3 segundo mais lento que o de montoya
naquele mesmo carro. todo mundo ficou impressionado. como é que um cara
que pilota um carro bem mais pesado e bem mais fraco consegue pilotar um
bólido leve, muito potente e com freios de carbono com tanta destreza?
frank williams ficou impressionado com o que viu. tão impressionado
que chegou a colocar gordon em sua lista de possíveis pilotos para o
futuro. houve, de fato, algumas negociações iniciais. o problema é que
jeff gordon custava muito caro e frank williams é um sovina notório. o
sonho de ver gordon como piloto oficial da williams acabou aí. houve
ainda um aceno da jaguar, mas o piloto americano não se interessou em
pilotar um carro meia-boca lá na europa. para ele, só a vitória lhe
importava. não há como discordar de um tetracampeão.
bom este post já foi publicado anteriormente no blog bandeira verde e meu amigo alexandre rangel pediu para que eu reproduzisse o mesmo aqui, embora ele mesmo poderia ter feito isto.
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